França vive novo dia de protestos com forte contingente policial
Milhares de pessoas protestaram neste sábado (24) na França a pedido dos coletes amarelos e de estudantes, em um cenário tenso depois que as autoridades proibiram algumas manifestações após os distúrbios ocorridos há uma semana.
O governo do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, que deixará o poder em maio, está sob pressão para evitar novas cenas de caos como as vividas na semana passada, amplamente comentadas por líderes estrangeiros.
Como demonstração da tensão, em Lyon, as forças de segurança dispararam granadas de gás lacrimogêneo pela manhã para dispersar um grupo de cerca de 150 pessoas quando tentavam bloquear o tráfego em um setor onde as autoridades proibiram qualquer tipo de concentração.
Até o momento "não houve incidentes significativos", afirmou no início da tarde o ministro do Interior, Laurent Nuñez, informando que um total de 135 pessoas foram detidas e foram apreendidos objetos como bolas de metal, fogos de artifício e até mesmo uma catana.
"Seremos intransigentes", declarou Nuñez na véspera, ao anunciar o dispositivo policial: 70.000 agentes, unidades de elite da polícia e soldados da missão de vigilância Sentinelle, assim como blindados da gendarmaria, helicópteros e outros.
As autoridades acusam "pequenos grupos de extrema esquerda" pelos distúrbios, aos quais teriam se somado "delinquentes oportunistas", sobretudo jovens dos subúrbios das cidades, para saquear lojas.
- "Renúncia" -
Para retomar o controle, toques de recolher noturnos estão em vigor desde segunda-feira em bairros das grandes cidades, as manifestações também foram proibidas, desde que não fossem convocadas por atores "legítimos", nas palavras de Macron, como os sindicatos.
Em Paris, Marselha e Lyon, foram autorizados os atos previstos contra o aumento do custo de vida e em apoio aos estudantes que desde o fim de setembro reivindicam melhores condições nas escolas de ensino médio.
Mas na capital, as autoridades mudaram em cima da hora o percurso da marcha, que deveria partir da simbólica Praça da Bastilha, para uma área mais afastada, no sudeste de Paris.
"Em que país estamos, onde o poder decide quem pode se manifestar e onde? É escandaloso", disse Ryad Rani, líder da União Sindical de Estudantes do Ensino Médio, antes da manifestação.
Milhares de pessoas, muitos jovens, voltaram a se manifestar neste sábado em Paris, com faixas com frases como "Não esperávamos nada e mesmo assim estamos decepcionados" e entre gritos de "Macron, renúncia" ou "Todo mundo odeia a polícia".
"Cas", um estudante de 22 anos que não quer revelar sua identidade, também protesta "por aqueles que não têm o direito de se manifestar" neste sábado.
O comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, instou os países europeus abalados por protestos neste sábado, como França, Espanha, Itália e Albânia, a respeitar o direito de manifestação e a dar prioridade à "desescalada" nas operações policiais.
- Paris blindada -
Após os protestos da semana passada, que levaram entre 550.000 e 800.000 pessoas às ruas, e os deste sábado, o movimento dos coletes amarelos, que abalou o primeiro mandato de Macron em 2018 e 2019, anunciou uma nova mobilização em sete dias contra uma "deriva autoritária".
Muitos dos distúrbios da semana passada ocorreram durante manifestações não autorizadas, que também tentaram se aproximar de locais estratégicos, como a turística avenida Champs-Élysées.
Veículos blindados da Gendarmaria protegeram neste sábado o Palácio do Eliseu, sede da Presidência, e a Assembleia Nacional, em Paris.
Diante dos novos protestos, muitos comerciantes instalaram tábuas de madeira nas vitrines de seus estabelecimentos; alguns cogitam não abrir as portas e outros pretendem defender por conta própria suas lojas de eventuais saques. No último sábado, quase 3.000 foram afetadas em toda a França.
Os museus parisienses do Louvre, de Orsay e Picasso, além da Ópera de Paris, fecharam excepcionalmente.
Pelo menos 11.000 pessoas também se manifestaram em Orléans contra o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que realiza neste fim de semana seu congresso político sob fortes medidas de segurança.
A seis meses da eleição presidencial, sua líder Marine Le Pen lidera as pesquisas.
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H.Weber--VZ