Protestos na Mercedes-Benz marcam início de mobilização no setor automotivo da Alemanha
Milhares de trabalhadores protestaram nesta sexta-feira (3) diante de fábricas da Mercedes-Benz na Alemanha contra os planos de corte de custos da montadora, no que deve ser o início de uma onda de mobilizações no setor automotivo do país.
As fabricantes alemãs enfrentam a forte concorrência chinesa, as tarifas americanas e a demanda fraca em mercados estratégicos, o que levou a demissões e medidas de austeridade nos últimos meses.
Organizados pelo poderoso sindicato IG Metall, funcionários se concentraram em várias unidades da Mercedes, de Sindelfingen, perto de Stuttgart, a Bremen, no norte do país.
"Enquanto os acionistas continuam se beneficiando de forma mais do que generosa, os trabalhadores precisam abrir mão de direitos garantidos em contrato", afirmou a presidente do IG Metall, Christiane Benner.
Os manifestantes protestam contra propostas que incluem aumento da jornada de trabalho sem reajuste salarial e redução de benefícios.
Segundo o sindicato, mais de 33 mil trabalhadores participaram das manifestações em todo o país. A Mercedes-Benz afirmou que cerca de 16 mil pessoas estiveram presentes em protestos realizados em seis unidades.
A montadora, cujo lucro caiu pela metade no ano passado, declarou à AFP que iniciou um plano de economia porque "os custos estruturais na Alemanha - especialmente os trabalhistas - não são competitivos em escala internacional".
O IG Metall afirmou que a mobilização desta sexta marca o início de uma série de protestos contra cortes em todo o setor automotivo.
Entre os próximos alvos está a Volkswagen. Na semana passada, foi divulgado que a maior fabricante de automóveis da Europa planeja cortar até 100 mil empregos e fechar quatro fábricas na Alemanha.
O.Bauer--VZ