Agência da ONU diz ter encontrado 'toneladas de material nuclear' na Síria
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou, nesta terça-feira (18), que a agência da ONU encontrou várias toneladas de material nuclear em um local na Síria que não havia sido declarado pelo governo anterior.
O diretor da AIEA elogiou a "decisão corajosa" das novas autoridades que comunicaram a descoberta à agência e concederam acesso ao local, onde, segundo ele, foram encontradas "toneladas de material nuclear que poderiam ter sido usadas para fins ilícitos".
Grossi visitou um local na Síria, onde foram coletadas amostras, depois que o novo governo instaurado após a queda do presidente Bashar al-Assad enviou uma carta à agência da ONU em 17 de julho informando sobre material nuclear em uma localidade não declarada.
O chanceler sírio, Asaad al-Shaibani, descreveu o local clandestino como um "legado deixado pelo antigo regime".
Shaibani afirmou em uma coletiva de imprensa conjunta com Grossi que as "avaliações técnicas" indicam que o material "não representa nenhum risco", acrescentando que permanecerá na Síria e ficará "sujeito ao sistema de salvaguardas da agência" da ONU.
Grossi, um dos candidatos a ser o próximo secretário-geral da ONU, destacou o fato de que a Síria decidiu "abrir o local aos inspetores da AIEA" para que o material seja inventariado e submetido ao sistema internacional de salvaguardas nucleares desse organismo.
"Estamos começando a virar a página, e virar a página não significa esquecer o passado", declarou, em referência à transição em curso após a destituição de Al-Assad em dezembro de 2024 por uma coalizão rebelde que posteriormente assumiu o governo do país, marcado por quase 14 anos de guerra civil.
Segundo um comunicado conjunto divulgado pela AIEA, a visita incluiu um local em Deir Ezzor e uma segunda localização relacionada ao material nuclear identificado recentemente pela Síria.
W.Kraus--VZ