Lula e Flávio Bolsonaro baixam o tom no último debate antes do segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu adversário Flávio Bolsonaro moderaram o tom nesta sexta-feira (23) durante o debate da TV Globo, às vésperas do segundo turno de domingo e, além de trocarem acusações, discutiram propostas de governo.
O senador de 45 anos, do PL, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, venceu o primeiro turno há quase três semanas com 47% dos votos, contra 45% de Lula, do PT.
Após um primeiro debate marcado por insultos e praticamente sem discussão de programas de governo, Lula e Flávio confrontaram-se sobre políticas econômicas, projetos de infraestrutura e planos de desenvolvimento para diferentes regiões.
Questionado por Lula sobre sua promessa de aplicar um “tesouraço” nos gastos públicos, à semelhança da “motosserra” do presidente argentino Javier Milei, Flávio respondeu: "Eu vou ter que ter o mesmo trabalho aqui porque você está deixando o país quebrado" com a campanha. "Você não tem vergonha?", disparou.
O candidato do PL acusou Lula de permitir a expansão do crime organizado, o endividamento das famílias e de não fazer nada para reduzir o custo de vida.
Também criticou o aumento do salário mínimo e impostos elevados, fazendo ainda referência ao dedo que o presidente perdeu em um acidente de trabalho quando jovem. "Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, declarou.
"Não vou permitir que um miliciano me chame de 'nove dedos'", rebateu Lula, em alusão às acusações de que seu rival manteria vínculos com milícias do Rio de Janeiro. “Ele nunca trabalhou na vida. Não sabe o que é uma carteira profissional”, acrescentou.
Flávio pediu desculpas pela declaração, mas o desafiou: "Você vai pedir desculpas, Lula, para o povo brasileiro que está sofrendo aí com a insegurança?".
Lula questionou a experiência do senador e seu conhecimento do país. "Não conhece o Brasil", afirmou.
Flávio Bolsonaro tem se apresentado como uma alternativa de mudança e demonstra confiança em incorporar o Brasil à onda conservadora da América Latina. "Eu sei administrar o Brasil, eu sei que o Brasil escolheu a mudança", disse.
Uma pesquisa do instituto Datafolha publicada na quinta-feira mostrou empate nas intenções de voto, com 50% para cada candidato. Duas semanas antes, Flávio aparecia quatro pontos percentuais à frente de Lula.
F.G.Fischer--VZ